#bastidores | Uma quase entrevista com o Marcelo D2
"dar entrevista bêbado é embaçado"
Festival Brasileiragem. Campinas, 2018. Tinha uma entrevista agendada para 1h30 da manhã com o Marcelo D2. Cheguei pouco mais de 23h. Quando me aproximava do portão de entrada do Campinas Hall percebi que o segurança estava pedindo o RG para conferir a idade de quem entrava, algo que não acontece corriqueiramente em festivais. Rapidamente, procurei o meu na carteira. Não estava. Na bolsa também não. Impossível eu ter esquecido, pelo simples fato de que jamais saio de casa sem documento. Revirei todos os bolsos. Nada. Logo a raiva foi tomando conta. Poderia ter perdido. Mas não estava a fim de voltar em casa para confirmar essa possibilidade.
A situação ficou ainda pior com o celular sem sinal de internet. Pela grade, tentei encontrar Fred, o fotógrafo. Encontrei. Logo, ele chamou Cassiano, responsável pela comunicação da casa, para me tentar colocar para dentro. Porém, o segurança me barrou no portão. Parecia um interrogatório de um policial. Queria saber quem eu era e por que estava sem identidade. Inicialmente fiquei quieto para que Cassiano desenrolasse as ideias. Porém, a paciência foi se esgotando.
- Ele é jornalista. Veio cobrir o evento, disse o amigo
- Jornalista e não anda com RG?, respondeu o segurança
- Esqueci… nunca esqueceu nada não?, falei
Ele analisou, analisou e falou com sarcasmo:
- É, da próxima vê se não esquece... jornalista!!
Depois de resolver o problema, fui direto para a entrada dos camarins. Conversei por um tempo com Adonai e Paulo Dub Masto, do Cidade Verde Sounds, e ficamos por ali na espera da chegada do D2. Não demorou muito. Veio de bonde com quase 20 pessoas. No camarim, fumaça sobe. Chamei o produtor que o acompanhava para dizer que tinha agendado um entrevista com a assessoria de imprensa para às 1h30. Ele já estava ciente. Confirmou que estava tudo certo. Me chamaria perto do horário.
As horas se passaram. Síntese e Cidade Verde tocaram. Mais de 2h da manhã. Nada. Cobrei o produtor. E a resposta não foi tão animadora.
- Então, só vai rolar entrevista depois do show, disse ele
Beleza. Mas com a experiência de outros carnavais, não nutri tanta esperança. Quando a entrevista é jogada para depois do show não é garantia de que ela acontecerá. Obviamente existem excessões, porém… esperamos já sabendo que não poderia acontecer. Ficamos aguardando com outros jornalistas.. Mais ou menos 3 da manhã o show começou. Clássico atrás de clássico. Fernandinho Beatbox também fez seu show a parte. A “casa veio abaixo”. Marcelo D2 sabe manter o espetáculo quente.
Depois da apresentação, geral voltou para o camarim. Continuamos aguardando. Fumaças subiam. Copos de cerveja eram esvaziados. Pouco a pouco a GIG foi saindo fora. O público também. Faltava pouco para o sol aparecer no horizonte. Aí, um carro encosta. O D2 sai com o filho dele, Sain. O Cassiano dá um salve nele sobre as entrevistas. Coma fala já arrastada, ele responde:
- Foi mal rapaziada. Fazia tempo que eu não bebia e a galera deixou eu beber. Tô bêbado, e entrevista bêbado é embaçado. Desculpa aí. Deixa pra próxima.
Era mais de 5h. Meu celular ficou bateria. O Fred conseguiu chamar um Uber pra mim com o 1% que sobrou da dele. A madrugada não foi tão doce quanto imaginávamos. Por motivos alcoólicos, não conseguimos a entrevista. Talvez se assim acontecesse seria interessante.
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Em 2022 entrevistei Marcelo D2 para o Rimas e Batidas, de Portugal. LEIA AQUI.



