“malandro não para. malandro dá um tempo”.
desacelerar é necessário. chega uma hora que o corpo reage. a mente emite um sinal de alerta. muitas vezes, a gente desconsidera, releva. porém, chega um momento que não dá pra ignorar. não cheguei ao limite. mas observo que se não diminuir a velocidade meu “carro pode rodar na pista”. tenho que ter cuidado.
no INSTAGRAM, as pessoas acreditam que a vida se resume às coisas legais e os lugares bonitos que são publicados. isso não é nem 000,01%. a vida real está bem longe das redes. também por isso, alguns colocam na cabeça que você está livre a todo momento para ouvir a música, o disco, ver o vídeo, dar uma opinião sobre aquilo e se, possível, escrever. ah, claro, o resultado tem de ser positivo. mas até essa positividade precisa estar de acordo com as ideias de quem pede. desculpa, irmão. sem tempo pra isso. e cada vez menos.
As trocas reais estão cada vez mais escassas. poucos escutam. só querem falar. ter razão. é demanda atrás de demanda. cobranças de respostas rápidas. de presença. de atenção. entretanto, a reciprocidade não acontece. muitas dessas coisas, somadas a outras particularidades, tem minado a vontade de continuar fazendo o que faço em relação à música, principalmente no RAP BR. apesar de considerar que essa seja uma das minhas missões - e sem falsa modéstia, sei que sou muito bom nisso -, esse universo cultural e artístico é diferente do que pensam. não é tão cool (da hora). possui burocracias. chatices. arrogância.
é claro que tem os benefícios, os acessos, os contatos, as relações, amizades verdadeiras. mas é necessário colocar na balança. são anos contribuindo para o registro dessa cultura que amo. isso ficará, de alguma forma, para a posteridade.
um tempo atrás escrevi que só parava quando não fizesse mais sentido. talvez esse período esteja chegando. tá insalubre. a maioria vislumbra os números, e apenas eles. isso vai minando a vontade de mergulhar mais fundo. a busca é mais para preencher a demanda - fazer o clipping - e não para de fato gerar algum impacto. prioridades.
esse texto não é uma despedida do JORNALISMO MUSICAL. continuarei por aí. mas sem aquele frenesi para abraçar o mundo. continuem enviando coisas. só não me cobrem por urgência. o que fizer sentido, darei atenção. no paralelo, vou tocando projetos no off. fazendo trabalhos que me apetecem, trocando ideias com quem se dispõe, aproveitando o que é possível e cuidando do meu pessoal.
“se alguém perguntar por mim
diz que fui por aí
levando um violão debaixo do braço”




faltou um semancol do amigo, mas é isso, às vezes a falta de bom senso do outro tb gera demanda e ele nem percebe. Valeu o texto de alerta para todos nós.