questão de estética
do jeito que se veste até a forma que escreve.
ter visão estética faz toda a diferença. segundo definições do dicionário Michaelis1 é “o ramo da filosofia que estuda o belo, a natureza da arte e a sensibilidade humana (percepção sensorial)”. e isso não se resume em saber o que combina com o que. é mais uma questão de observar se as coisas se encaixam por mais diferentes que sejam. na teoria soa confuso . mas na prática é possível ver a diferença observando os mínimos detalhes. olhar o que passa despercebido pela maioria. isso também vai das características de cada um. o que consome, lê. o tipo de arte que aprecia, onde anda. as músicas que ouve. tudo serve como influência. e o que faz sentido para alguém pode não ter o mesmo efeito em outra pessoa.
na visão do filósofo alemão Alexander Baumgarten (1714-1762), que cunhou o termo estética, “trata-se da ciência das faculdades sensitivas que consiste na apreensão da beleza e das formas artísticas2”. e o que é belo? tudo e nada. depende muito de quem o julga. por esse motivo, é possível ter simplicidade na forma de se vestir, criar, se expressar, escrever, desenhar, filmar, fotografar e ainda sim transmitir mensagens que outros tentam fazer com maior complexidade. também pode ser maximalista, focando em cores, excessos, e causar o mesmo efeito. é aí que está a beleza. ter uma característica única. saber expressá-la e bancar [porque tem gente que não banca (se limita) com medo dos julgamentos].
mesmo que os gostos sejam parecidos e os desenvolvimentos, as vestimentas, pinturas, sons sigam pelo mesmo caminho, as particularidades fazem com que haja diferença. cada qual com seu cada qual. porém, as ideias viajam pelo ar. se não colocar em prática, alguém as coloca. e se colocar, acontece do mesmo jeito. quer um exemplo? continuamos reproduzindo tendências que estavam em alta tempos atrás. tudo é cíclico. vai e volta. mas as roupas que você veste, o penteado, acessórios, o jeito que decora e organiza a casa [nossas avós podem nos ensinar], as cores que usa, as tatuagens que faz, suas referências… diz muito sobre quem és. o conjunto te define. e essa definição também se aplica ao trabalho que faz, principalmente se estiver envolvido com arte, moda, música, publicidade, escrita, arquitetura. é aquela coisa de saber quem é o autor só de bater o olho. as especificidades individuais estão impressas.
em todo caso, a autenticidade te distingue. referência não é cópia [o Instagram e o Pinterest são bons para se ter uma visão daquilo que TALVEZ combine com você. apenas]. pode te ajudar a puxar o fio. porém, não deve ser o único condutor. sua personalidade precisa servir de complemento e sobressair. não queira ser reconhecido como quem apenas copia e cola. [o clichê] seja você sem se preocupar com o que vão dizer. aprendo muito com Cecília, minha filha. aos 4 anos ela já tinha uma sensibilidade estética. sabia se vestir harmônica e diferenciadamente sem pedir a ajuda de um adulto. hoje, quase com 8, ainda mais. não queria usar o uniforme da escola porque era igual de todo mundo. então, criou formas de se diferenciar, seja usando laços, meia-calça, um pequeno detalhe que a diferenciasse. essa coisinha básica nos tira do comum. agora é necessário descobrir o que é, e colocar em prática. faz parte do seu autoconhecimento.
*pode ser que nada neste texto faça sentido. é questão de estética também
michaelis.uol.com.br
Idem (michaelis.uol.com.br)



Bom texto!
Sensacional! Inclusive, por não entender sobre a importância da estética, como tu traz no texto, vejo que as pessoas meio zumbis. Realmente o Insta e Pinterest podem apresentar algo que combine com nós, mas se a estética é uma forma de expressar a nossa subjetividade, deixar ela na mão do algoritmo me parece bem perigoso (e sem sal).